Em meio ao vaivém de cores que iam e vinham, atarefadas, o Verde conversava com seu amigo Vermelho no banco da praça:
– Amanhã é feriadão. Será que vamos emendar?
– Capaz que sim. Não vejo motivo pra sua ansiedade.
– Motivo? Nosso chefe é o motivo! Ele é cheio de querer que a gente não emende os feriados prolongados.
– Se isso te incomoda, posso dar um jeito.
Sempre tranqüilo, o Vermelho contrastava com seu elétrico amigo Verde. Sacou o celular do bolso e teclou o número do serviço. Atenderam.
– E aí, cara? Tá sabendo se vamos emendar? Hm. Putz, que cha... Ah, é? Legal! Valeu, rapaz! Sabia que a gente podia contar contigo! Brigado. Da minha parte e da do Verde! Cê é um amigão. Abraço!
– Então...? – indagou o Verde.
– Disse que não vamos emendar, mas que a gente não precisa ir. Ele segura a onda sozinho.
– Sério?
– Sério. Ele mesmo admite que nós dois trabalhamos bem mais do que ele, e que é o mínimo que ele pode fazer em troca.
– Gente boa, esse cara.
Quem talvez não pense assim seja o motorista, emburrado por ter de cruzar a rua com muito cuidado, já que a luz amarela do semáforo pisca sem parar.
A mulher do vizinho é sempre mais verde!
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
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